Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

PALAVRA DO PRESIDENTE

Industrialização é a resposta para superar os desafios enfrentados pela construção civil

Neste ano, a Abcic celebra 25 anos de uma trajetória bem-sucedida, sempre pautada pelo trabalho constante em prol da industrialização da construção e do desenvolvimento técnico e mercadológico do setor de pré-fabricados de concreto. Sua atuação estratégica é norteada por uma visão institucional ampla e pela compreensão dos temas mais relevantes para a evolução contínua do setor. A construção desse arcabouço de conquistas e reconhecimento passa pelo Conselho Estratégico, cujas definições e apoio à presidência executiva levaram à consolidação da entidade, bem como ao momento histórico vivenciado nos dias atuais em que a industrialização é um caminho sem volta. 

Para o biênio 2026/2028, a presidência do Conselho Estratégico passa a ser exercida pelo engenheiro civil João Carlos Leonardi, que atua há mais de 37 anos no setor de pré-fabricados de concreto. Com especialização em Marketing pela ESPM, MBA Business Intuition e especialização em Gestão do Conhecimento pela Antonio Meneghetti Faculdade, é sócio-diretor da Leonardi Construção Industrializada, desde sua fundação em 1989. 

Em entrevista para a Industrializar em Concreto, Leonardi antecipa algumas prioridades de sua gestão, como a continuidade do trabalho dos cinco pilares do Planejamento Estratégico, a instituição das Regionais Abcic, a abertura à associação de incorporadores e construtoras, a definição de novas ações de Marketing, levando-se em conta o cenário político-econômico das eleições deste ano, e a expansão da atuação da associação, englobando o desenvolvimento empresarial. “Se continuarmos com os processos tradicionais de construção, é possível que isto torne-se o maior obstáculo ao crescimento do Brasil, em função das enormes carências de infraestrutura e de moradias, combinadas com a escassez de mão de obra disponível. Por isso, a Abcic assumirá um papel de protagonismo neste processo de industrialização da construção no Brasil e, consequentemente, haverá uma grande demanda por emprego e prosperidade para nossas empresas.”

A seguir, estão os principais pontos abordados pelo novo presidente do Conselho Estratégico da Abcic:

No Caderno de Dados Setoriais Abcic 2026, há uma perspectiva positiva para este ano no segmento da construção, com o aumento dos investimentos em infraestrutura e no mercado imobiliário. Entretanto, há desafios importantes, como a escassez de mão de obra, as taxas de juros elevadas e as eleições. Qual é a sua avaliação para este ano no setor da construção?

Compartilho desta visão positiva. Estamos otimistas em relação ao setor da construção em 2026, porém, com um otimismo moderado. Precisamos ser realistas em relação aos grandes desafios que o setor precisa enfrentar e resolver. E esperançosos, pois a escassez de mão de obra, tanto operária quanto intelectual, e a baixa produtividade em nossos canteiros de obra exigem a busca por novas alternativas, e certamente a solução passa pela industrialização da construção.

Em muitos canteiros de obras, o processo construtivo pouco se alterou nos últimos 50 anos. São empregados alguns equipamentos mais modernos e metodologias mais racionalizadas, mas os ganhos que estes geram, muitas vezes, são insuficientes para compensar o aumento da burocracia, das regulamentações e das novas exigências decorrentes das mudanças na legislação tributária e trabalhista. Neste mesmo período, outros setores produtivos do Brasil conquistaram ganhos muito expressivos em produtividade, eficiência e competitividade, enquanto a construção civil, apesar disso, continua utilizando, em sua grande maioria, os mesmos processos tradicionais.   

Esperamos um crescimento moderado do PIB do Brasil neste ano, em função dos nossos problemas estruturais que ainda não foram resolvidos. O setor imobiliário, em virtude dos poucos investimentos realizados nas últimas décadas, dispõe de poucos imóveis disponíveis para atividades industriais, comerciais, de serviços, de logística, institucionais etc. Em função desta escassez, é certo que o setor da construção civil terá que apresentar um crescimento mais robusto do que o da nossa economia para atender a estas demandas. Temos uma enorme carência de infraestrutura em todo o país, que constitui outra barreira ao desenvolvimento e precisa ser resolvida. Além disso, novas demandas, como os grandes datacenters que vêm para o Brasil e necessitam de edifícios específicos para abrigá-los.

E como avalia o setor de pré-fabricados de concreto no momento atual?

Avalio com mais otimismo do que enxergo o setor da construção no seu todo, pois acreditamos que a pré-fabricação é uma boa alternativa para a industrialização dos canteiros de obra, que se tornou uma necessidade e não apenas uma opção. 

A quantidade de construções não residenciais em andamento no Brasil aumentou significativamente em relação ao que se observou na década passada, e o percentual de obras que utilizam pré-fabricados de concreto em relação ao total de obras em execução aumentou exponencialmente no mesmo período.  

Também é possível observar o emprego da pré-fabricação em concreto em muitas construções residenciais, tanto em unifamiliares quanto em condomínios verticais, em todo o país. Até mesmo na execução de edifícios altos, onde o sistema era pouco utilizado, temos muitas obras em andamento e este tipo de solução está se tornando uma realidade, pois confere uma boa relação entre custo, desempenho e estética nestes empreendimentos.  

A industrialização tem sido bastante citada como uma das alternativas para que o mercado da construção tenha maior produtividade e sustentabilidade, bem como para enfrentar a crise de mão de obra. Como analisa esse cenário e quais são os motivos do protagonismo da industrialização?

Os países mais desenvolvidos já industrializaram seus processos construtivos. Empresas e investidores estrangeiros com operações no Brasil almejam ter aqui o mesmo nível de qualidade, velocidade e eficiência nas construções realizadas em seus países de origem, e isso só é possível por meio da industrialização.

O mercado imobiliário também evoluiu para se adaptar a consumidores mais exigentes, que dispõem de um novo arcabouço de normas, legislação e regulamentações para se ampararem e exigirem mais qualidade e desempenho das construções, e tudo isso deve se enquadrar em um preço “justo” que, muitas vezes, parece insuficiente para o que precisa ser feito para atendê-los. Acreditamos que a resposta a esta equação também decorre da industrialização.

Trago o exemplo do agronegócio brasileiro, que era tão, ou até mais, rudimentar que a construção civil até o início dos anos 80, porém conseguiu evoluir, incorporar novas tecnologias e mecanizar a produção. Hoje é referência mundial na produtividade de vários tipos de grãos e de proteína animal. A grande demanda gerada em função da necessidade de outros países de comprar alimentos do Brasil, especialmente a China, ajudou muito o agro, mas o fator decisivo foi a atenção e auxílio que nossos governantes deram para o setor. Para a construção civil, neste período, tais políticas e ações governamentais mais dificultaram do que ajudaram no processo de industrialização. 

Acreditamos que a industrialização das obras, que ocorreu em países europeus ainda na década de 90, está em andamento no Brasil, com 30 anos de atraso.

A industrialização vem crescendo de forma expressiva no país: a que o Sr. atribui esse crescimento?

A escassez de mão de obra é um problema crônico que deve se agravar nos próximos anos, e a construção civil está sendo fortemente impactada pela dificuldade em atrair e reter novos colaboradores, devido à sua baixa atratividade para os jovens que buscam alternativas de emprego mais tecnológicas e menos físicas. Na maioria dos canteiros de obras, o processo construtivo ainda é artesanal, o que implica muitos trabalhadores expostos a intempéries climáticas, a situações de risco e a elevado esforço físico. Os custos indiretos incidentes sobre a mão de obra também aumentaram consideravelmente e, mesmo para empresas que trabalham em conformidade com e atendem rigorosamente toda a legislação, há sempre o risco de ter que responder por alguma demanda trabalhista. 

As exigências de qualidade e desempenho estão cada vez mais elevadas e estão embasadas em normas e manuais de procedimentos que devem ser cumpridos em prazos cada vez menores para a execução dos empreendimentos. 

A única alternativa é a industrialização das construções, a exemplo do que já ocorre nos países mais desenvolvidos.

Além disso, os compromissos ambientais firmados globalmente, com o objetivo de atingir a neutralidade de carbono, estão gerando grande pressão na construção civil. Também neste contexto, a industrialização pode colaborar ao empregar tecnologias mais avançadas, ao promover maior controle de qualidade, ao reduzir resíduos e ao possibilitar a desmaterialização das construções.

Um dos principais pleitos defendidos pelas associações de sistemas construtivos industrializados era a isonomia tributária em relação ao sistema convencional. Com a Reforma Tributária, é possível alcançar esse objetivo? Em sua avaliação, será um estímulo adicional à adoção de sistemas construtivos industrializados?

Sim, temos a expectativa de que a isonomia tributária entre as soluções industrializadas e as construções convencionais realizadas nos canteiros de obra, propiciada pela Reforma Tributária, será um estímulo à industrialização. Taxar os elementos pré-fabricados de concreto com 12% de ICMS, enquanto incide somente 5% de ISS sobre elementos similares moldados “in loco” ou pré-moldados dentro dos canteiros de obras onde serão instalados, que demandam maior quantidade de mão de obra e dificilmente terão o mesmo padrão de qualidade, é um grande equívoco que será corrigido.

Com o mercado em expansão, novas indústrias de pré-fabricado de concreto estão surgindo. Quais cuidados devem ser adotados na contratação de uma estrutura ou fachada pré-fabricada? A industrialização tem, entre suas características, atividades de logística e a própria montagem, que requerem muitos cuidados, em especial quanto à segurança. Como mitigar e evitar acidentes?

A maioria das empresas de construção pré-fabricada de concreto está com bom volume de produção no momento, em contraste com a década passada, quando houve muita ociosidade. Acreditamos que esta demanda deverá se manter nos próximos anos, se o atual ritmo de crescimento moderado da economia do país também se mantiver. 

A demanda gerará oportunidades que certamente resultarão em novas empresas para atendê-la. Prevemos que, num prazo de 10 anos, o número de empresas de pré-fabricados de concreto no Brasil deverá dobrar. Mas também está aumentando a complexidade dos novos projetos e, por consequência, teremos obras mais desafiadoras, nas quais os investidores pressionarão por prazos cada vez menores para sua conclusão.  Sendo assim, o desafio será tanto para novas empresas tentando ocupar seu espaço quanto para empresas mais estruturadas que executarão obras mais complexas.

As competências para projetar, produzir e montar estruturas pré-fabricadas são muito diferentes das necessárias para estruturas moldadas “in loco”. Os profissionais com as competências necessárias e experiência são poucos no mercado e demoram para serem formados.

A produção de elementos pré-fabricados é realizada em fábricas, com máquinas e equipamentos apropriados, o que permite alcançar maior produtividade e segurança do que em um canteiro de obras. O transporte e a montagem destes elementos implicam situações transitórias, com esforços e carregamentos que precisam ser considerados no dimensionamento destes elementos e das ligações, para garantir a estabilidade até que a estrutura esteja devidamente solidarizada em sua condição de utilização. Para estes serviços, é preciso contar com montadores especializados, sob supervisão de engenharia, para garantir a segurança estrutural e evitar riscos.

Em relação aos contratantes, quando forem escolher um parceiro para seu empreendimento, é importante que verifiquem a competência e a experiência da empresa e de seus profissionais no tipo de obra que desejam executar e não busquem alguém somente pelo preço. Como em qualquer outro setor, sempre haverá alguma empresa que se proponha a executar uma obra acima de sua capacidade técnica.

Um bom critério é escolher empresas associadas à Abcic que estejam credenciadas pelo Selo de Excelência da Associação. 

A construção industrializada tem se destacado por sua adoção de inovação e tecnologia. Poderia comentar o momento atual do setor nesta área?

Alguns obstáculos do passado, como o acesso a sistemas modernos e automatizados de produção, a alguns aditivos de alta performance para concreto e a sistemas de ligação, estão disponíveis para empresas brasileiras. Temos carretas especiais para transporte de elementos pesados ou de grandes dimensões, guindastes e gruas para montagem em grandes alturas. Mesmo para a execução de edifícios altos de múltiplos pavimentos, que podem chegar a 100 metros de altura, a engenharia nacional tem competência para elaboração do projeto, temos algumas fábricas que podem produzir estes elementos com concretos de resistência à compressão de até 100 Mpa e temos equipes especializadas para a montá-los. 

Um grande obstáculo que ainda persiste é a alta taxa de juros aqui no Brasil para a modernização das fábricas e a aquisição de novos equipamentos que permitiriam maior produtividade e ganho de competitividade para todo o setor da construção. 

Por meio das obras de alta complexidade e desafiadoras que empresas associadas estão realizando, inclusive algumas vencedoras do Prêmio de Obra do Ano da Abcic, é possível avaliar o nível atual de desenvolvimento tecnológico da pré-fabricação de concreto no Brasil.

Temos crescido também na área de infraestrutura, em especial na infraestrutura viária e na mobilidade urbana. Rodovias, aeroportos e, em especial, concessionados vêm a grande valor na adoção de pré-fabricados de concreto por vários motivos: maior segurança, em especial em casos de duplicação de rodovias, em que a rodovia principal permanece em operação; maior facilidade de operação em horários de menor pico; menor contingente de pessoas, o que implica segurança; menores custos de manutenção em função da durabilidade e da vida útil. Estamos presentes em estações de metrô, viadutos, passarelas, pontes, praças de pedágio, portos e BRT´s entre outros. 

Nesse sentido, como o Selo de Excelência da ABCIC tem contribuído para o desenvolvimento do setor?

Para empresas associadas, o Selo de Excelência é um bom referencial para melhorar a qualidade, a produtividade e a segurança tanto no processo fabril quanto na execução dos serviços nos canteiros de obra. Também é um incentivo ao cumprimento das Normas Técnicas da ABNT, das Normas Reguladoras e das boas práticas de gestão, como a responsabilidade social e a sustentabilidade.

No mercado, o Selo de Excelência atesta as fábricas e os canteiros de obras quanto ao cumprimento das Normas Técnicas e regulamentadoras brasileiras, bem como de boas práticas recomendáveis em relação à qualidade, à segurança e ao meio ambiente. Fornece um balizador que pode auxiliar na seleção de empresas com competência e experiência para a realização de determinados empreendimentos.  

Como a participação nacional e internacional da Abcic, em diferentes contextos institucionais, contribui para o crescimento da construção industrializada de concreto no país?

A Abcic sempre procurou antecipar as tendências de mercado, preparando a indústria de pré-fabricados de concreto e sua cadeia de prestadores de serviços para atender a estas demandas com a técnica necessária. Dentre as diversas ações e contextos, relaciono alguns:

  • Seminários, eventos e workshops com palestrantes e profissionais de referência em suas áreas de atuação para difundir conhecimento.
  • Missões técnicas internacionais com associados para participar de feiras e eventos de interesse do setor, realizar visitas técnicas a indústrias de pré-fabricados, visitar obras em execução e conhecer potenciais fornecedores.
  • Promoção de parcerias e relacionamentos com outras entidades institucionais no Brasil e no exterior, para potencializar as ações em prol da industrialização. 
  • Incentivar o desenvolvimento tecnológico do setor apoiando a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e com ativa participação nas comissões de normas correlatas e complementares ao sistema construtivo que representa. 
  • Atuação em Relações Institucionais e Governamentais, promovendo o setor e a industrialização da construção civil junto ao governo e à iniciativa privada. 
  • Apoio ao ensino nas universidades públicas e privadas, por meio de programas específicos de cooperação e de convênios.

Neste ano, a Abcic completa 25 anos de trajetória bem-sucedida. Quais são as expectativas para os próximos cinco anos? Como pretende trabalhar os pilares estratégicos do Planejamento da Abcic? Quais aspectos serão reforçados em sua gestão? Qual o legado que pretende deixar ao setor?

Nestes quase 25 anos, a Abcic criou os alicerces para o desenvolvimento do nosso setor: 

  • Atualização e complemento do arcabouço normativo pertinente; 
  • Apoio e capacitação técnica para empresas associadas; 
  • Integração do setor produtivo com o meio acadêmico e engenheiros de estruturas; 
  • Selo de Excelência da Abcic; 
  • Continuidade e manutenção das parcerias internacionais 
  • Ampliação das nossas ações, interagindo também com temas relacionados à governança das empresas e a aspectos que afetam nosso setor, para além da evolução tecnológica.

  Na gestão de 2022 a 2026, sob a presidência do Felipe Cassol, foi elaborado o novo Planejamento Estratégico da Abcic, que resultou em 5 grupos de trabalho, focados nos pilares estratégicos escolhidos para o fortalecimento da associação. Todos são temas relevantes que precisam de continuidade. Dentre eles, um destaque para as Declarações Ambientais de Produtos para elementos pré-fabricados de concreto, que vêm ao encontro da exigência de sustentabilidade do mercado, e para o Comitê de Edifícios Altos, que promove a nova fronteira de atuação da pré-fabricação de concreto.

Também elaboramos um novo Plano de Marketing e, dentre as várias ideias selecionadas, o novo Conselho Estratégico deverá priorizar o que será implementado de acordo com o cenário político e econômico que teremos em função das eleições majoritárias deste ano. 

Na revisão do Estatuto da Abcic, aprovada na última Assembleia de 2025, foi contemplada a abertura das Sedes Regionais da Associação como forma de maior integração e aproximação junto aos associados, com maior atenção às realidades de cada região. Ainda em 2026, abriremos as Regionais do Sul em Santa Catarina e Nordeste na Bahia. Para 2027, há previsão de abertura da Regional Centro-oeste.

Esta revisão do Estatuto também nos deu a oportunidade de receber sócios incorporadores e construtores na Abcic. Acreditamos que alguns destes estão estudando a possibilidade de implantar suas próprias unidades de produção de pré-fabricados de concreto, e outros buscam conhecimento para a industrialização de suas obras. De qualquer forma, serão muito bem-vindos.

Um novo projeto que pretendemos trazer para a associação é expandir o foco de atuação, que sempre foi mais voltado a aspectos técnicos, para também auxiliar os associados no desenvolvimento empresarial. Para uma empresa de pré-fabricados de concreto projetar, produzir e montar estruturas de acordo com as normas vigentes, as boas práticas pertinentes e aplicar os conceitos de engenharia corretos é um grande desafio. Com base na própria experiência como sócio-fundador de uma empresa de pré-fabricados de concreto desde 1989, cuja trajetória é similar à de vários outros empresários associados à Abcic que estão atravessando, percebemos que a engenharia não é o único desafio. A gestão empresarial em nosso segmento é complexa e exige o domínio de diversas competências. 

Trabalhamos com vários contratos simultaneamente e é possível que cada um deles exija: comercialização técnica para clientes muito exigentes; elaboração de projetos e engenharia de estruturas; planejamento detalhado das operações; industrialização de elementos construtivos de concreto; logística de precisão; prestação de serviços de montagem e outros serviços nos canteiros de obra. 

Para realizá-los, precisamos de pessoas com competências em vendas, marketing, gestão financeira, contabilidade, suprimentos, tecnologia da informação, desenvolvimento humano, segurança, entre outras. Temos que nos adaptar às novas normas da Reforma Tributária, cujas regras ainda estão em fase de definição. Também se preparar para a NR-1, que, além da prevenção de acidentes, foca em doenças ocupacionais e fatores psicossociais. E tudo isto precisa se encaixar no valor que os clientes estão dispostos a pagar, preservando a lucratividade, essencial para novos investimentos e a perpetuação da empresa.

No início de nossa trajetória, éramos engenheiros recém-formados, com pouca experiência em construção, nenhum conhecimento sobre industrialização e limitadas noções de gestão administrativa, mas com o firme propósito de nos tornarmos empresários na cidade de São Paulo, onde decidimos implantar nossa fábrica. 

Não tínhamos noção da dimensão dos desafios e obstáculos que teríamos pela frente num período em que nem Abcic existia. Da Abcic, nós nos beneficiamos depois de nos associarmos e, em 2003, demos um passo decisivo, enquanto ainda executávamos pequenos galpões pré-fabricados de pórticos com tirantes. Entramos em um programa de desenvolvimento empresarial para adquirir os conhecimentos e competências de que precisávamos e para qualificar nossa equipe.

Com aprovação do Conselho Estratégico, após algumas tratativas, foi aprovada uma parceria entre a Abcic e a Fundação Dom Cabral, por meio da PeKaTe, sua associada sediada em Campinas, para implantarmos um Programa de Desenvolvimento em Gestão da Construção Industrializada, concebido sob medida para aprimorar as técnicas de gestão de profissionais que atuam em nossas empresas. A PeKaTe foi a associada escolhida porque já possui ampla experiência no setor de construções pré-fabricadas de concreto e conhece as características e particularidades do nosso setor.  

Acreditamos que este projeto poderá ajudar a organizar e estruturar empresas que querem se profissionalizar e crescer de forma sustentável.

Poderia deixar uma mensagem aos associados lembrando que a entidade vem contribuindo para a evolução do setor desde sua fundação?

A atuação e ações estratégicas da Abcic geraram importantes avanços para o setor de pré-fabricados de concreto no país e permitiram que ocupássemos uma posição de destaque na construção civil e na engenharia nacional. Isto foi possível pela união, integração e coparticipação de toda a cadeia produtiva, profissionais técnicos, professores e pesquisadores que, direta ou indiretamente, estão ligados à industrialização da construção, e que compartilham da nossa crença de que o futuro do setor da construção é a industrialização e que o pré-fabricado de concreto é uma ótima alternativa para essa industrialização.

Nesta trajetória, contamos com o empenho e o comprometimento dos nossos ex-presidentes, que se dedicaram a esta ideia para deixar um legado. Dentre estes, faço uma homenagem especial ao já falecido Paulo Sergio Cordeiro, que foi o segundo presidente da Abcic e me convidou para assumir a diretoria técnica. 

Nos últimos 4 anos, sob a presidência do Felipe Cassol, houve muita inovação e transformação, na direção à profissionalização e ao protagonismo da associação. Felipe, um jovem que trouxe seu dinamismo e vitalidade para dentro da Abcic, com quem tive o privilégio de trabalhar, trocar experiências e de quem muito pude aprender neste período.

Em especial, a Abcic é fruto do árduo trabalho, da dedicação, da competência, do comprometimento e do “amor” da presidente executiva, Iria Doniak, que nos acompanha há mais de duas décadas. No momento, a Iria também acumula a função de presidente do Conselho da fib, o que demonstra seu valor e profissionalismo, ao representar a Abcic e o Brasil no mais alto cargo da engenharia de concreto mundial. Boa parte do respeito e da credibilidade, nacional e internacional, que a Abcic tem, deve-se a termos a Iria como nossa presidente executiva.

Em 2026 a Abcic, comemorará seus 25 anos como uma associação madura e respeitada que representa um setor que está consolidado e consciente de sua responsabilidade em ajudar no processo de industrialização da construção no Brasil. Acreditamos que, se não acontecer esta passagem, se continuarmos com os processos tradicionais de construção, é possível que isto torne-se o maior obstáculo ao crescimento do Brasil, em função das enormes carências de infraestrutura e de moradias, combinadas com a escassez de mão de obra disponível. Por isso, a Abcic assumirá um papel de protagonismo neste processo de industrialização da construção no Brasil e, consequentemente, haverá uma grande demanda de trabalho e prosperidade para nossas empresas. Uma associação em que não existe o “Eu” é sempre o “Nós”, e assim deve sempre continuar.

João Carlos Leonardi 
Presidente do Conselho Estratégico da Abcic

Confira a edição completa da Revista Industrializar em Concreto 37 no site oficial: http://www.industrializaremconcreto.com.br/

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