A construção civil poderá precisar contratar cerca de 288 mil trabalhadores adicionais para compensar a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, caso avance o fim da escala 6x1 sem redução salarial. A estimativa é da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que alerta para os desafios de implementar a mudança em um setor que já enfrenta escassez de profissionais qualificados.
Segundo as entidades do setor, a redução das horas trabalhadas pode elevar os custos das obras, prolongar os cronogramas e pressionar os preços dos imóveis. A CBIC estima que o custo direto da mão de obra possa aumentar até 15%, com impacto de pelo menos 6% no custo total dos empreendimentos. No mercado residencial, a elevação dos custos pode comprometer especialmente projetos de habitação popular e reduzir a oferta de unidades do Minha Casa, Minha Vida.
Outro ponto de preocupação é a dificuldade de encontrar trabalhadores para recompor as horas perdidas. A construção depende de etapas interligadas, e atrasos em atividades como fundações, estruturas e fachadas podem afetar todo o cronograma, aumentando despesas e comprometendo prazos de entrega. As entidades também alertam que profissionais remunerados por produtividade podem ter redução de renda caso produzam menos horas ou unidades de trabalho.
Como alternativas para minimizar os impactos, representantes do setor defendem a qualificação profissional, a industrialização dos processos construtivos e medidas que aumentem a produtividade.
Matéria na íntegra está publicada no Estadão