Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

Industrialização avança e concreto ganha espaço no Modern Construction Show

A industrialização vem ampliando sua presença na construção brasileira, embora ainda tenha um longo caminho para avançar. A segunda edição do Índice Geral de Industrialização da Construção (IGIC), desenvolvido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), aponta que a participação das obras do setor que utilizam algum sistema construtivo industrializado passou de 14,8%, em 2025, para 15,7% em 2026, um avanço de 0,9 ponto percentual em um ano. Os dados foram apresentados por Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV IBRE, durante o Modern Construction Show 2026, realizado entre 29 de setembro e 1º de outubro, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).

Seminário da ABCIC debate desafios do concreto

A pré-fabricação também esteve no centro do seminário “Os desafios do concreto no Brasil: aplicação na habitação e desenvolvimento tecnológico, da universidade para a fábrica”, promovido pela Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto (ABCIC). A programação discutiu oportunidades e desafios da pré-fabricação em concreto no Brasil, incluindo sua aplicação na habitação e a integração entre universidade e indústria.

Na abertura, João Carlos Leonardi, presidente do Conselho Estratégico da ABCIC, destacou a importância da aproximação entre arquitetos, engenheiros, incorporadores, construtores e indústria. “A palavra-chave é parceria. Precisamos trabalhar em prol da industrialização, mesclando dentro dos empreendimentos os diferentes sistemas construtivos”, afirmou.

Samuel Gonçalves, fundador do Summary Studio, de Portugal, apresentou projetos de habitação de interesse social e residências com uso de concreto pré-fabricado e construção modular. “A necessidade de construir mais e em menor tempo, diante da escassez de mão de obra, reforça a busca por processos capazes de otimizar tempo, recursos e produção”, explicou.

Os projetos apresentados utilizaram módulos tridimensionais e elementos bidimensionais, além de conexões mecânicas e soluções que permitem desmontagem e reutilização em determinadas aplicações. Para Gonçalves, a pré-fabricação precisa ser considerada desde a concepção arquitetônica, contemplando aspectos como produção, transporte, montagem, manutenção e eventual reutilização dos componentes.

O arquiteto Pedro Cornetta, da Cornetta Arquitetura, mostrou dois exemplos de residências desenvolvidas com componentes pré-fabricados de concreto. Os projetos demonstraram como peças utilizadas originalmente em infraestrutura, estacionamentos, shopping centers e galpões podem ser adaptadas à arquitetura residencial, explorando grandes vãos, balanços e fachadas.

Outro desafio abordado foi o financiamento. Pedro Incer, da Arqos Incorporadora, destacou que a pré-fabricação pode trazer ganhos de previsibilidade, qualidade e prazo, mas exige antecipação de recursos para a produção em fábrica. Segundo ele, é necessário criar mecanismos que reconheçam o avanço da obra também na etapa off-site e aproximar o mercado de capitais desse modelo.

Academia e indústria impulsionam inovação

A aproximação entre universidades e fabricantes foi outro eixo do seminário. Marcelo Ferreira, coordenador do Núcleo de Estudo e Tecnologia em Pré-Moldados de Concreto da Universidade Federal de São Carlos (NetPre/UFSCar), apresentou pesquisas, ensaios e soluções desenvolvidas em parceria com empresas para elementos como lajes alveolares, ligações e sistemas estruturais.

“A aproximação entre universidade e indústria também contribui para a formação de profissionais, já que ex-alunos passam a atuar em empresas do setor, levando conhecimento técnico para o mercado”, disse Ferreira.

A engenheira Anestine Jaeger, da Pré-Vale, apresentou a experiência da empresa em parcerias com universidades para melhoria de processos e desenvolvimento de tecnologias, entre elas, uma solução que incorpora dióxido de carbono à produção do concreto. “A pesquisa não é um projeto separado do todo. Ela integra o processo de melhoria”, pontuou.

Matéria na íntegra está publicada no Massa Cinzenta

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