Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

PIB da cadeia produtiva da construção recua 5,7% no 1º semestre

INVESTIMENTOS EM OBRAS
As despesas com obras e serviços realizadas de janeiro a junho de 2021 totalizaram R$ 321,9 bilhões, o que equivaleu a 7,7% do PIB do país. Em termos reais, houve aumento dos investimentos de 23,2%, marcando um resultado positivo após a crise de 2020 causada pela pandemia da covid-19. Com esse aumento, o nível de investimentos observado nos primeiros seis meses de 2021 foi de R$ 20,3 bilhões a mais que o valor dos investimentos em obras realizados em igual período de 2014, o que dá uma dimensão real da superação da crise da construção civil ocorrida a partir do segundo semestre de 2020. Isso indica que nesses sete anos houve aumento acumulado 14,5% nos investimentos em obras.

Investimentos em obras, Brasil em R$ milhões constantes de 2017


 Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

PIB, FATURAMENTO E OCUPAÇÃO NA CADEIA PRODUTIVA
Nos primeiros seis meses de 2021, o faturamento da cadeia da construção alcançou R$ 697 bilhões. Desse valor, 46,2% referiram-se a obras e serviços da construção. Houve aumento nominal de 30,6% no faturamento da cadeia produtiva da construção, comparando janeiro a junho de 2021 frente ao mesmo período de 2020.
O valor adicionado (ou PIB) da cadeia produtiva somou R$ 185,9 bilhões no primeiro semestre, sendo que 51,9% estavam associados às atividades da construção civil, 13,4%, à indústria de materiais, máquinas e equipamentos para construção e 14,9%, às atividades de comercialização de materiais. Os serviços – que incluem as atividades dos escritórios de engenharia e arquitetura, das análises e ensaios de materiais, dos serviços de apoio à construção e das atividades de manutenção condominial – responderam por 19,8% do PIB da cadeia produtiva da construção.

Investimentos em obras, Brasil em percentagem do PIB
 Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

Na comparação com os primeiros seis meses de 2020, houve queda real de 5,7% no PIB da cadeia produtiva da construção. O PIB da indústria de materiais, máquinas e equipamentos de construção registrou aumento real de 27,9% e o valor adicionado pelo comércio de materiais cresceu 21,5%. As atividades da construção, por outro lado, tiveram queda real de PIB de 18,9%.

PIB, faturamento e emprego na cadeia produtiva da construção em R$ milhões constantes*, janeiro a junho de 2021
 Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica. (*) Valores a preços de 2017.

 

PIB, faturamento e emprego na cadeia produtiva da construção. Crescimento entre 2020 e 2021 (janeiro a junho)
 
Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

PIB na cadeia produtiva da construção, variação real acumulada entre 2020 e 2021 (janeiro a junho)
 Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

O número de pessoas ocupadas na cadeia da construção foi de 8,589 milhões no primeiro semestre de 2021, o que equivaleu a 10,0% da força de trabalho ocupada no país. Desse total, 53,8% das pessoas estavam ocupadas no segmento da construção (construtoras, autoconstrução e reformas). Em relação a igual período de 2020, o número de trabalhadores na cadeia produtiva caiu 16,0%. Isso indica o fechamento de 1,632 milhão de postos de trabalho em todos os elos da cadeia em um ano.

Postos de trabalho com carteira assinada na cadeia produtiva da construção, variação absoluta entre 2020 e 2021 (janeiro a junho)
 Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

 

INVESTIMENTO REALIZADO X NECESSIDADES
De acordo com projeções preliminares, seria necessário investir R$ 864,2 bilhões por ano em obras e serviços da construção para manter os ritmos de desenvolvimento urbano e desenvolvimento da infraestrutura necessários ao país (valores a preços de 2019). Isso equivale a um investimento de R$ 432,1 bilhões nos primeiros seis meses do ano. Como foram investidos apenas R$ 321,9 bilhões entre janeiro e junho de 2021, nota-se que os investimentos em construção ficaram 25,5% abaixo das necessidades para o país crescer de forma sustentável. Mantido esse quadro, permanece a tendência de que os ganhos em termos de redução de déficits (habitacional, de saneamento e de transportes, por exemplo) obtidos até 2016 continuem o processo de reversão em curto espaço de tempo.

Investimentos em obras, realizado e necessário, Brasil, janeiro a junho de 2021
 
Fonte: Ex Ante Consultoria Econômica.

Matéria publicada no Observatório da Construção - FIESP