Associação Brasileira da Construção

Industrializada de Concreto

SindusCon-SP debate perspectivas para 2026

As perspectivas para o desempenho da construção em 2026 em um patamar melhor que o de 2025 e as consequências para o setor de uma redução da jornada de trabalho dominaram os debates da Reunião de Conjuntura do SindusCon-SP, conduzida por Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do sindicato, com a participação de Yorki Estefan, presidente da entidade, em 11 de março.

Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FVG Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas), mostrou em sua apresentação como a queda do PIB da construção no quarto trimestre de 2025 acabou trazendo o resultado do ano passado para um crescimento de apenas 0,5%, em função da queda da atividade do segmento informal (autoconstrução e reformas). Já o segmento formal (construtoras) teve crescimento, como mostra o aumento de 3,1% no emprego, segundo o Novo Caged.

Para 2026 – afirmou –, há um expressivo ciclo de contratações de obras, realizadas em 2025, especialmente no Programa Minha Casa, Minha Vida. Também deverá haver mais obras de infraestrutura resultantes das concessões realizadas no ano passado, e obras típicas de ano eleitoral. Em consequência, segundo a economista, é possível que o PIB da construção acelere em 2026, enquanto o PIB nacional tenderá a desacelerar.

Já as dificuldades enfrentadas pelas construtoras, como o crédito caro e a mão de obra escassa motivam uma percepção moderadamente pessimistas dos empresários do setor, de acordo com a Sondagem do FGV Ibre. Quanto aos custos do setor, houve desaceleração.

Ana Castelo disse esperar um bom ano de 2026 para a construção, com desempenho mais favorável dos imóveis destinados a famílias de média renda, em função do novo modelo de crédito habitacional, e a retomada da demanda do segmento informal. Afirmou que o cenário mundial pode fazer com que os preços dos materiais voltem a acelerar, ficando mais próximos dos índices de inflação.

Cenário internacional

Robson Gonçalves, professor da FGV, comentou que a baixa taxa de investimento mostra que o país está dentro da armadilha do baixo crescimento e tende ao envelhecimento populacional. A urgência de implementar programas sociais não se deu com a mesma intensidade que o aumento da produtividade. Como não há ganho de produtividade do dia para a noite, a redução imediata da jornada de trabalho é questionável como fator de aumento da produtividade.

Com a incerteza em relação ao conflito no Oriente Médio – prosseguiu —, estima-se um prêmio de risco para perto de US$ 25 por barril. Com isso, estamos perto de um choque nos preços do petróleo. Os preços dos combustíveis da Petrobras estão defasados. Já as refinarias privadas estão praticando preços mais elevados, o que deverá repercutir na inflação, que poderá subir para 5% ao ano. Daí ser possível que o Copom não inicie o ciclo de redução da taxa Selic na semana que vem. Em contrapartida, se os preços dos combustíveis forem reajustados, aumentará a arrecadação do governo. Um cenário possível é o crescimento de 1,5% do PIB nacional em 2026, podendo ser menor se os preços dos combustíveis permanecerem elevados por um longo período.

Eduardo Zaidan comentou que não interessa aos EUA prolongar a guerra, em função do cenário eleitoral naquele país. Em consequência, a seu ver, o conflito no Oriente Médio ficará regionalizado, tendo o PIB nacional mais elevado, em função dos gastos eleitorais, da isenção do imposto de renda, do baixo desemprego, do bom desempenho do agronegócio e da atração de capitais estrangeiros, em função da manutenção dos juros elevados.

Redução da jornada

Gonçalves apresentou um exercício que, segundo informou, não reflete a posição da FGV. A redução da jornada para 40 horas levaria à necessidade de contratação, pela construção, de mais 10% de pessoal. Somando custos salariais e outros como treinamento e EPIs (Equipamentos de Proteção Individual), isso representaria uma elevação de 17,6% no custo total da mão de obra. Isto levaria a um aumento de 7,04% no custo total da obra, supondo que os materiais não aumentariam em função do aumento da jornada.

Para neutralizar esse custo, afirmou o economista, seria necessário um aumento da produtividade de 17,6%, que seria viável tecnicamente no médio e longo prazo. Como isso não vai ocorre imediatamente, um imóvel hipotético deveria ter seus preços elevados em 3,9% em média, o que, entretanto, reduziria as margens de lucro.

Segundo Yorki Estefan, como não seria possível contratar mais 10% de trabalhadores em função da escassez de mão de obra, haveria aumento do custo e da extensão do prazo de obra, com elevação de custos financeiros para a construção. Estefan lembrou que 10% dos empregados no setor representam 300 mil trabalhadores, número que a seu ver seria impossível de se contratar.

Rafael Coelho, diretor da Regional São José do Rio Preto, comentou haver no Legislativo uma tendência de redução gradual da jornada sem redução de salários, o que abre espaço para o setor atuar expondo seus pontos de vista.

Para Rodrigo von Uhlendorff, vice-presidente de Tecnologia e Qualidade, em vez de contratação de mais 10% de mão de obra, haverá necessidade de negociação com os subempreiteiros, para elevar a produtividade, e estender um pouco o prazo da obra. Ana Castelo comentou que nesses casos o ajuste seria feito na remuneração da tarefa.

Eduardo Capobianco comentou que na infraestrutura trabalha-se com poucos subempreiteiros, e se houver a redução da jornada, o prazo da obra seria estendido, o que elevaria custos e reduziria a produtividade. O impacto em outros setores afetaria a produtividade da economia como um todo, reduzindo a competitividade do Brasil no cenário internacional. Capobianco ainda lembrou que não seria possível repassar aumentos de custos nas concessões de infraestrutura nem nas obras públicas.

Eduardo Zaidan informou que o SindusCon-SP está estudando as consequências de uma redução da jornada. Comentou que, em meio ao cenário disruptivo no país, estamos entrando em uma nova ordem internacional para a qual será necessário se adaptar.

Matéria publicada no Sinduscon-SP
 

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