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Terceiro dia do Incorpora 2021 debate reforma tributária, descarta bolha no setor imobiliário e alerta sobre aumento da inflação

Qual o futuro da atual reforma tributária que segue parada no Senado e as chances do setor imobiliário enfrentar uma bolha especulativa? Estas foram duas das principais questões debatidas no terceiro webinar do INCORPORA 2021. O evento realizado pela ABRAINC tem como objetivo fomentar o debate propositivo e proativo para melhoria do ambiente de negócios no setor.

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), relator da reforma do Imposto de Renda, deu o tom do debate ao afirmar que, no momento, a chance desse projeto passar pelo Senado Federal da forma como está é remota, uma vez que o tema ainda está sendo discutido com diversos setores da economia, Governo e com os parlamentares de forma que haja consenso no Congresso.

“Devemos trabalhar por uma Receita Federal justa, que cobre o que deve ser cobrado, sem inibir o mercado produtivo. Não vejo como votar nesse açodamento uma reforma tão importante para o país. Sou a favor de uma Reforma Fiscal pensada e analisada por todos os segmentos para que se construa algo palatável a todos os brasileiros”, complementou o senador.

O presidente da ABRAINC, Luiz França, falou sobre a importância da isenção de tributação para empresas com faturamento de até R$ 4,8 milhões por mês e dos dividendos de lucros acumulados até 2021, e alertou que, sem essas medidas, pode haver dificuldade na geração de empregos e na atração de novos investimentos. As ideias foram prontamente atendidas pelo senador, que afirmou que a proposta será melhor debatida. “Vou lutar para que as mudanças sejam de melhorias para o segmento e não para piorar a situação”, pontuou o parlamentar.

O peso da indústria da construção civil no PIB brasileiro foi destacado por Luiz França, que lembrou que o setor é responsável por 7% de todas as riquezas produzidas no Brasil. Ele argumentou, ainda, que a reforma é necessária, porém incorporadoras e construtoras não podem ser impactadas em novas taxações.

“Somos um dos poucos segmentos que empregou na pandemia e continua empregando. Se a gente não incentiva o setor de incorporação, estamos pedindo, simplesmente, desempreguem, não ajudem o Brasil a crescer”, alertou.

Inflação
O assunto inflação não poderia ficar de fora do encontro. Impactando diretamente todas as ações e negociações do setor imobiliário, o tema foi muito debatido pelos participantes. Cristiane Portella alertou que a permanência do aquecimento do mercado e o controle da inadimplência dependem do combate à inflação.

“Acredito que só continuaremos atraindo pessoas aos estandes se esse fato for bem controlado. Um ponto bem importante para a gente acompanhar tem a ver com a inflação, que é um dos maiores vilões e consome a renda da população”, analisou.

José Carlos Martins, presidente da CBIC, defendeu que o mercado imobiliário seja “pensado” como o mercado de veículos, potencializando o estoque de imóveis à venda e mecanismos que permitam à população de baixa renda o acesso a uma casa ou apartamento. Para ele, o mercado precisa de novos programas que gerem o impacto que o programa “Minha Casa, Minha Vida” (atualmente, Casa Verde e Amarela) gerou ao ser lançado, em 2008. “Eu vejo um mercado muito maduro, foi algo que a gente sempre sonhou, muito profissionalizado e sem lugar para amadores. Mas, ele precisa, novamente, dar outros passos”, enfatizou.

A necessidade da desburocratização também foi assunto. “É preciso aprovações de empreendimentos por órgãos públicos que sejam cada vez mais ágeis”, destacou Ronaldo Cury, presidente do Conselho de Administração da Cury, ao lembrar que o processo de liberação de alvarás em São Paulo começou a mudar na gestão de Fernando Haddad, e depois continuou nas administrações João Dória, Bruno Covas e, atualmente, na de Ricardo Nunes. De acordo com Cury, o ano de 2021 tem sido melhor do que o esperado para o setor. Ele ainda lembrou que o calendário eleitoral do ano que vem não deve influenciar diretamente o setor, que tem se mostrado muito resiliente.

Bolha imobiliária está descartada
Diego Paixão e Ronaldo Cury descartaram qualquer possibilidade de bolha no setor e lembraram que o mercado absorveu muito de crises anteriores, e que tal aprendizado afasta a possibilidade de que a valorização nos preços dos imóveis seja impulsionada por uma grande especulação.

Luiz França fez o encerramento do evento e também enfatizou que a possibilidade de uma bolha no mercado imobiliário está completamente afastada. Ele explicou que bolhas se caracterizam pelo aumento artificial dos preços, o que definitivamente não é o cenário do Brasil. “Seria como se investidores, ao verem o aumento dos preços dos imóveis, começassem a tomar empréstimos para comprar 10 apartamentos, por exemplo, e não conseguindo vender, passassem a reduzir os preços desses bens para poderem pagar esses empréstimos. Não é o que acontece aqui. Então, até tecnicamente, está descartada uma bolha imobiliária.”

Matéria publicada na Abrainc